15 de março de 2026

Conversas com Deus

Eu: Olá, Deus.
Deus: Olá minha querida Alma
Eu: Sinto que me estou a desmoronar. 
Parece que me estou a partir em mil pedaços. 
Podes ajudar-me a colar tudo de novo?
Deus: Prefiro não o fazer.
Eu: Mas porquê?
Deus: Porque tu não és um objeto que se partiu; não és um puzzle para ser montado.
Eu: E todos estes fragmentos da minha vida que estão a cair ao chão?
Deus: Deixa-os estar. Caíram por um motivo. 
Permite que fiquem aí algum tempo e, mais tarde, decides se algum deles ainda faz sentido na tua vida.
Eu: Tu não compreendes! 
Sinto um rasgo cá dentro! 
Dói tanto que parece insuportável.
Deus: Na verdade, tu é que ainda não percebeste. 
Não te estás a destruir; estás a transcender. 
O que sentes são as dores do crescimento. 
Estás finalmente a libertar-te de situações e de pessoas que apenas te atrasavam.
Deus: Essas peças não estão a cair por acaso. 
Estão a abrir espaço para o que é real. 
Relaxa... Respira... e deixa ir o que já não te serve. 
Para de te agarrar ao que já não te pertence.
Eu: Mas se eu deixar ir tudo isto... o que é que sobra de mim?
Deus: Sobrará a tua essência. O que tens de melhor.
Eu: Tenho medo de mudar.
Deus: Ouve bem: tu não estás a mudar... estás a revelar-te
Estás a tornar-te naquilo que és.
Eu: E quem sou eu, afinal?
Deus: Estás a tornar-te na luz que eu criei! 
Alguém feito de coragem, alegria, compaixão e graça. 
Criei-te para algo muito maior do que esses adornos superficiais a que te agarraste por medo. 
Quero que sejas quem nasceste para ser. 
E vou repetir-te isto as vezes que forem precisas, até que te lembres.
Eu: (Suspiro)... Lá se foi mais um pedaço.
Deus: Sim. Deixa-o ir.
Eu: Então... não estou a rasgar-me por dentro?
Deus: Não. Estás a rasgar a escuridão, como o romper da aurora. É um novo dia. 
Estás finalmente a chegar a ti.

Adriana Monteiro 

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