Quando os padrões de violência começam a aparecer com esta frequência, sinto que a conversa precisa de sair das quatro paredes.
Este texto nasce dessa urgência e do que vejo acontecer na prática.
Isto é para quem tenta explicar o que não tem explicação.
Nem tudo é energia.
Nem tudo é trauma.
Nem tudo é um “ele não é assim”.
Quando alguém agride, quem bate é a pessoa.
Não são as energias, não é o passado, não é o álcool, nem o stress.
Tudo isso pode existir, mas nada disso levanta a mão por ninguém.
Explicar não é justificar. Compreender não é desculpar.
A primeira agressão não é um acidente isolado, é um limite ultrapassado.
E quando esse limite cai, o risco de voltar a cair é real, sobretudo quando é perdoado sem consequências.
Ficar para tentar curar, salvar ou compreender o agressor costuma ter um custo alto.
Normalmente, é pago com a autoestima, com a segurança e com o corpo dorido de quem fica.
Amor não mete medo.
Relação não dói assim.
Ninguém veio a este mundo para ser saco de pancada emocional ou físico em nome da "evolução" de outrem.
O verdadeiro trabalho começa quando a pessoa agredida escolhe a si própria.
Se alguém vier dizer que isto é “duro demais”, lembra-te: duro é levar um estalo e ainda ter de o justificar.
Este texto não é contra ninguém.
É a favor da segurança, da responsabilidade e da verdade.
Não romantizo a violência.
Não espiritualizo a agressão.
Não culpo quem fica, mas também não normalizo quem bate.
Se isto te ativou, respira antes de comentar.
Se precisas de justificar a agressão para poder discordar, este espaço não é para isso.
Aqui fala-se de limites.
E limites também são uma forma de amor.
Partilha com quem precisa de ler isto.
Adriana Monteiro
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