Desde crianças aprendemos a seguir horários, a cumprir regras, a pedir autorização, a fazer o que nos dizem ser o caminho certo.
Passamos anos a estudar para um dia trabalhar, como se esse fosse o único destino possível.
Depois chegam as responsabilidades.
Acordar cedo, trabalhar, pagar contas, correr de um lado para o outro.
Repetimos a mesma rotina durante décadas e, sem darmos conta, os dias transformam-se em anos.
Dizem-nos que, um dia, quando chegar a reforma, teremos finalmente tempo para descansar, viajar, dedicar-nos ao que gostamos e viver com mais tranquilidade.
Mas quantos chegam a esse momento com a mesma saúde, energia e sonhos que tinham quando eram mais novos?
Não acredito que o trabalho seja um problema. O trabalho dignifica-nos e faz parte da vida.
O que me faz refletir é quando toda a nossa existência gira apenas à volta de sobreviver, deixando constantemente a felicidade para "mais tarde".
Talvez o verdadeiro desafio seja encontrar equilíbrio.
Trabalhar, sim.
Cumprir responsabilidades, claro.
Mas sem esquecer de viver hoje.
De abraçar quem amamos, de cuidar da nossa saúde, de criar memórias, de fazer aquilo que alimenta a nossa alma.
Porque o tempo é a única riqueza que nunca conseguimos recuperar.
E talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo ainda falta para nos reformarmos.
Talvez seja esta:
Se a minha vida continuasse exatamente como está durante os próximos dez anos... eu sentir-me-ia verdadeiramente feliz?
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